2007-07-18

Segunda Vida


Três Vidas em Três Canções (título provisório)

E a vida é como uma canção.
Pode ser alegre ou triste.
Cantiga de Amor ou de Amigo.
Cantiga de Escárnio ou Maldizer.
Sinfonia em Allegro, por vezes vicace, outras moderato.
Som de melancólico Adagio.
No espaço/tempo de um minuto, mil vidas para serem vividas, mil canções para serem cantadas.
Noutros mares, noutros continentes, noutras ruas, estas enfeitadas de laranjeiras a rebentar de laranjas como bagos de mil sóis pendentes, ouve-se o Ti António Sabino cantando:

“Olha a laranjinha
Que caiu caiu
No regato de água
Nunca mais se viu…”

Acompanhava-se a ele próprio com o bater do martelo na bigorna. Era ferrador e enquanto a clientela não chegava, ele ia preparando “os sapatos” com que depois “calçava” éguas e cavalos que puxavam as carroças, carregadas de couves e camponeses que vinham à vila nos dias de feira ou mercado.
Rua da Estrada do Poço. Num dos lados da rua, a Oficina do Ferrador, no outro lado, uma Moagem (sempre tão enfarinhada a cara do moleiro…) e uma Casa de Pasto (chamavam assim aos restaurantes, naquela época). Aqui, sentada na soleira da porta, uma jovem aproveitava os raios de um morno sol de Outono. Dois olhos grandes, onde se vislumbrava uma certa melancolia, bem agasalhada porque era Novembro, ouvia com um sorriso o seu amigo e vizinho Ti António e, quando ele se calava, ela dizia baixinho:“Sei outra”…e cantarolava em surdina:

“Quero bem ao vento norte
Que me faz andar à vela
Quero bem ao vento sul
Que me leva à minha terra…”

(Carolina, 03/01/2007)

Terceira Vida


Três Vidas em Três Canções (título provisório)

O Outono corria calmo, manso como as folhas que a leve brisa amontoava aos cantos. O rio também deslizava por baixo da ponte San Telmo sem sobressaltos, como que meio adormecido. Dizia-se que o Guadalquivir marulhava nas noites calmas velhos segredos de mouras encantadas, trazidas para Espanha de reinos longínquos, do outro lado do estreito. Havia mesmo quem jurasse ter chegado à fala com alguma delas, figuras que lhes tinham aparecido saídas do nada, contado histórias mirabolantes e, como que por magia, se tinham esfumado no ar. Provavelmente eram produto do saboroso manzanilla, vinho fino e seco, de que se usava e abusava muitas vezes. Como sempre em Sevilha e naquela estação, a temperatura devia rondar os 32 graus centígrados. A vida decorria ao ritmo da cidade, com movimentos lentos, sem pressa, onde tudo e todos se esforçavam para não gastar energias, religiosamente reservadas para as “fiestas”, onde inexplicavelmente se soltavam com um vigor de espantar.
Combinara encontrar-me com Guadalupe na Plaza de la Maestranza. A tarde era de touros, ouviam-se os “olés” do público, quase abafando um vibrante pasodoble tocado por uma orquestra de metais. Ocorreu-me a letra cantada por Rocio Jurado e que tão bem descrevia a festa brava:

Oro, plata, sombra y sol,
el gentío y el clamor,
tres monteras, tres capotes
en el redondel
y un clarín que corta el viento
anunciando un toro negro
que da miedo ver.

Chicuelinas de verdad,
tres verónicas sin par
y a caballo con nobleza
lucha el picador,
y la música que suena
cuando el toro y la muleta
van al mismo son.

Viva el pasodoble
que hace alegre la tragedia,
viva lo español,
la bravura si medida,
el valor y el temple
de esta vieja fiesta.

Viva el pasodoble,
melodía de colores,
garbo de esta fiesta,
queda en el recuerdo
cuando ya en el ruedo
la corrida terminó.

Cavalos engalanados com grinaldas multicolores e atrelados a velhos coches aguardavam o fim da faena, sacudindo as caudas entrançadas na vã tentativa de afastar as moscas. Encostados indolentemente aos varais ou sentados nos garridos bancos, os condutores esperavam que o final da tarde lhes trouxesse algum estrangeiro endinheirado, que quisesse percorrer Sevilha.
Admirei os milhares de laranjeiras que ornavam as ruas, segundo ouvira dizer um legado dos árabes que ali se estabeleceram desde o século VIII. E a Guadalupe sem chegar! Conhecera-a no Parque Maria Luísa, com mais de 400 mil metros de superfície, onde a luz nos chega filtrada pelo verde de centenas de espécies de flores, plantas e árvores, algumas seculares. Tinha sido o meu amigo José Cãno que me tinha aconselhado a que não perdesse aquela jóia, um verdadeiro pulmão da cidade. Levantara-me cedo naquela manhã de Outono. Passeava calmamente pelas áleas do jardim, admirando a flora belíssima e sumptuosa, cheirando os mil perfumes que serpenteavam pelo ar, quando senti a atenção desperta por uma linda jovem que estava sentada num dos bancos de ferro, com um livro nas mãos. Olhei-a de soslaio, como que envergonhado por desfrutar daquela forma a sua imensa beleza. A pele era da cor do chocolate, os cabelos lisos despenhavam-se como uma cascata sobre os ombros, uma grande flor vermelha de hibisco ornamentava-lhe a fronte esquerda. Das orelhas pendiam largas argolas de ouro, ao pescoço um colar de pedras vermelhas reflectia os raios de sol. Em ambos os pulsos tinha quatro ou cinco argolas de ouro iguais aos brincos. Trazia um largo vestido branco pintalgado com pequenos círculos cheios a vermelho, composto por vários folhos, como os das dançarinas de flamengo; a gola larga deixava ver o início dos seios, bem torneados, de um creme aveludado. Fiquei ali especado, a olhar, como um espantalho. Claro que ela acabou por notar a minha presença e sorriu-me. Respirei fundo e aproximei-me, apresentando-me. Disse-me que era tradutora de castelhano, que trabalhava para uma conceituada editora e que vinha ali muitas vezes descarregar o stress do dia a dia. Conversámos durante horas, era como se já nos conhecêssemos à muito tempo. Por sugestão sua atravessámos o rio e fomos a Triana. Percorremos a Calle Bétis e sentámo-nos numa esplanada à beira-rio, saboreando belas tapas de variados petiscos, acompanhadas por tequilla muito fresca. Apreciámos a vista da cidade, que se desenhava linda na outra margem. Ela contou-me que este bairro de marinheiros era forja de toureiros, cantoras e bailarinas de flamengo. Contou-me que ela própria nascera ali. Mais tarde, já a noite caíra à muito, regressamos pela ponte Isabel II e depois acompanhei-a a casa. Deixei-a no número 47 da Praça de Espanha, muito perto do jardim onde de manhã a encontrara. E combináramos aquele encontro para hoje, junto à Praça de Touros.Preocupado, decidi ir ter com ela a casa. Fiz parar um táxi e pedi ao motorista que se apressasse. Dei-lhe uma confortável gorjeta e apeie-me junto a um quiosque de venda de jornais. Do outro lado da rua ficava o número 47. Atravessei-a a passos largos e toquei à campainha. Ninguém atendeu. Voltei a tocar, desta vez com insistência. A porta abriu-se finalmente e surgiu uma senhora de roupão, com cerca de 50 anos, que com maus modos me perguntou o que queria. Disse-lhe que a Gaudalupe tinha ficado de se encontrar comigo junto à Maestranza e que não tinha aparecido. Perguntei-lhe se era a mãe. Respondeu-me que não tinha filhos e que ali não vivia nenhuma Guadalupe. Como? Impossível. Contei-lhe que a acompanhara na véspera e que até lhe tinha aberto a porta com a chave que me dera, pois estava com as mãos ocupadas com um ramo de flores que eu lhe comprara. Que não, que ali só morava ela com o marido, que era polícia e que estava a dormir, pois regressara do turno. Insisti e ela ameaçou ir acordá-lo.
Dirigi-me ao quiosque e perguntei ao vendedor se conhecia a Guadalupe, fazendo-lhe uma breve descrição. Guadalupe? A dançarina de flamengo que morrera atropelada ia para uns dez anos mesmo ali, do outro lado da rua, frente ao número 47? O coração começou a bater-me descompassadamente. Vi tudo a girar e não me lembro de mais nada. Acordei numa cama do hospital psiquiátrico Virgen Macarena, nos arredores de Sevilha. Tem sido a minha casa desde então. A recordação de Guadalupe mantém-se tão viva como no momento em que a vi, naquela manhã de Outono, no Parque Maria Luísa.
(Gil, 04/01/07)

A médica psiquiatra, moçambicana há anos a residir em Espanha, olha com ternura para (diz ela) o seu doente preferido. Um homem calmo de olhar triste que se passeia pelos corredores e jardins do hospital, levando sempre nas mãos um grande ramo de flores de hibisco. Quando se cruza com alguém, ele sempre diz: “São para Guadalupe!...
”Está na hora do remédio e ela, ajudando-o a deitar-se, pega no ramo de flores e cuidadosamente coloca-o numa jarra que está sobre a mesa de cabeceira.
Dirigindo-se à enfermeira (uma portuguesa que recentemente chegou ao hospital) diz:
-Dê o calmante ao doente, por favor.
O homem toma o calmante, sabe que isso o ajudará a ter uma noite sem sonhos nem pesadelos.
- Boa-noite! Durma descansado, talvez ELA venha amanhã!...
-Talvez… -diz ele, prestes a adormecer.
(Carolina, 03/01/07)

Quero bem ao vento norte
Que me faz andar à vela
Quero bem ao vento sul
Que me leva à minha terra…

Cantarolava desde manhã aquela quadra que não lhe saía da cabeça. Deviam ser saudades da terra.Há muito que que não ia até lá.
Desde que o avô morrera (saudoso tio Sabino) não regressara, não sabia que era feito da sua oficina de ferrador.
O tempo é implacável. E já lá iam uns anos desde que viera para Sevilha.
Pensava muitas vezes em voltar mas não era fácil sobreviver na sua terra, quase todos a abandonaram e como ela, muitos foram para o sul de Espanha apanhar morangos, uvas, enfim, o trabalho sazonal que houvesse, duro mas bem pago.
Mas esses tempos já lá iam, agora vivia na cidade, trabalhava como auxiliar no Hospital Psiquiátrico e já fizera muitos amigos.
Ganhou afeição aos doentes, em especial ao Sr Paco Gonzalez. Era engraçado como ele desde o princípio lhe começara a chamar Guadalupe... e não é que tinha acertado no seu nome?
Só mais tarde é que percebeu, ao falar com a Dra Marta, que ele tinha uma obsessão e visões com uma tal Guadalupe, bailarina de flamengo.
Na altura até ficou um pouco apreensiva:
- Oh doutora, será que ele tem poderes sobrenaturais?
- Não te preocupes, Guadalupe, é usual estes doentes terem destas fixações, o nome foi uma coincidência. De qualquer modo és para ele alguém especial.

Quero bem ao vento norte
Que me faz andar à vela
Quero bem ao vento sul
Que me leva à minha terra…

Continuou pelo corredor cantarolando baixinho, a pensar quando poderia ir até ao Alentejo, saudades de Serpa, da festa da Senhora de Gadalupe, da largueza dos montados e dos olivais da sua terra.
Marta por seu lado roía-se de saudades bem mais longínquas e persistentes. Não é que não gostasse de Sevilha, mas suspirava por outro calor, mais húmido, agarrado ao corpo, pelo cheiro da terra e do ar impregnado de mil perfumes. África…
A especialização que estava a fazer no Hospital Virgen Macarena ainda ia a meio e tinha mais um ano pela frente antes de regressar à sua terra; enfim , valia-se dos livros, das fotos e da música para manter vivo o seu sentimento de pertença.
(Laura, 05/01/2007)

2007-07-15

Bom Dia!

A minha prima Sofia mexeu no blogue e agora não consigo pôr as imagens!
Terei que aguardar instruções!
Cumprimentos a todos!

2007-07-03

Barco Negro




' Anexe ao seus blogues favoritos o seguinte link:

http://www.springexion.blogspot.com/

Dulce Pontos

2007-06-23

Almadanim!

(Desta vez em Sines)
26 de Junho, 21.30 h, terça-feira, Centro de Artes de Sines

ALMADANIM: Poesia desdramatizada por: Ana Lúcia Palminha, Lúcia Caixeiro e Suzana Branco.

(Entrada Livre)

(Atenção: Os primeiros 6 comentários desta postagem, referem-se ao espectáculo "Almadanim" feito em Março na Biblioteca Municipal de Santiago do Cacém.)

2007-06-21

Oi, Pessoal!

Clique neste endereço para ouvir a fabulosa canção de LILA DOWNS, "Água de Rosas"
Claro, este é o "Jelico", o blog da nossa Teresinha Amoroso!

2007-06-20

Eu, Rita!

Olá , eu sou a "Rita"!
Calculem que ontem de manhã, sorrateiramente, verifiquei que a minha dona antes de ir para o serviço libertou os dois passarinhos que eu lhe tinha levado !...
Um deles voou para cima de uma laranjeira , o outro !...
Bem, o outro acho que estava a "dormir" ???
Não percebi porque foram postos na rua , até porque o tempo está chuvoso.
Então os passarinhos não estariam melhores debaixo da cama da Ana ????
Podíamos brincar!
Bem, mas assim que pude fui buscar novamente o "tal" que voou para a laranjeira.
Bolas!... Entretanto a mulher da limpeza descobri-o e pô-lo novamente lá fora!... Acho que ele também "adormeceu" , cansado da brincadeira , se calhar .
Que chatice ... Tenho de arranjar outra estratégia , talvez guardá-los na gaveta do guarda vestido!...
XAU
Rita (uma gata ao vosso dispor...)

2007-06-18

Quem quer ratos???...


Sou a Rita, uma gata muito jeitosa!
Gosto muito de ir procurar ratinhos na rua e depois levo-os para casa.
Escondo-os debaixo da cama da Ana para depois poder brincar com eles.
O pior é que os meus donos os descobrem, fazem uma grande "chinfrineira"( para a qual não encontro motivo), correm atrás do pobre bicho, desaparecem com ele e nunca mais lhe ponho os bigodes em cima.
Ontem, pensei: "vou tentar levar antes passarinhos, pode ser que assim me deixem brincar com eles".
Fui para o quintal e descobri ninhos bem fornecidos de pássaros fofinhos.
Abocanhei-os com cuidado, não lhes fiz mal e por duas vezes entrei em casa com eles. Depositei-os aos pés da minha dona.
ERA UM PRESENTE!
Imaginem que os meus donos, ficaram outra vez com cara de aflição e lá me tiraram os pássaros. Depois vi-os andar na horta debaixo das árvores para ver se descobriam o ninhos donde eu os tinha levado.
Fiz-me desentendida e não lhes disse qual era o ninho.
Que mal faria eu levar uns passaritos?
Ai estes humanos são mesmo complicados e egoístas! Eles podem ter cães e gatos em casa e eu, pobre Gata Rita, não posso ter nem ratos nem passarinhos!
Não há direito!
Vou queixar-me à Liga Protectora dos Animais! Pronto! MIAU!




2007-06-14

Ai querem dança???...


Fui balhar com o mê amori
N'Alfama e na Madragoa
E ele disse quê cá era
Uma balharina boa!
.....
Já nã havia sardinhas
Comi carapaus assados
Dez euros a meia dúzia
Acho que fomos roubados
...
Ele deu-me um Manjerico
E ao meter lá o nariz
Espirrei o resto da noite
Que linda coisa quê fiz!
...
De manhã fomos p'ra casa
Cada qual com sê balão
Despachámos o Santantóino
Esperamos o Sanjoão!
....
(Autora : Está-se mesmo a ver...)


2007-06-12

Leilão de Jardim

Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é o meu leilão)
(Cecília Meireles)

2007-06-09

E lá vai ele...

(Autocarro junto das pirâmides no Egipto)
... o meu amigo Hugo, que depois de fazer toda a América do Sul, viaja agora pela África como motorista e guia turístico numa empresa de Viagens Aventura!
Se há vidas que eu "invejo" esta é uma delas!
Boa sorte Hugo, nesta nova etapa à descobeerta de novos/velhos Mundos!

2007-06-06

Almadanim!


No Centro de Artes em Sines!

Dia 26 de Junho!

Poesia desdramatizada!

2007-06-04

Os "Asas" a caminho do Guadiana!


No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outrosE outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada.......

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendenteDe Cruz Quebrada a Palmela...
....
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormnindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.
...
(Fernando Pessoa)

2007-06-01

CRIANÇAS!...Umas, menos crianças do que outras!

MENINOS E MENINAS
...
Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.
....
Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninos e meninas
que morreram a defender a liberdade de armas na mão.
....
Todos já vimos!
E então?
...
De Fernando Sylvan (Neste Dia da Criança, parece-me ser este, um poema para meditar...)

2007-05-29

Dia Mundial dos Vizinhos


Quinta-Nova.
Quinta-Nova do Ti Zé do Brito e da Ti Luísa que distava meio quilómetro, dos Mariais, monte onde eu vivia com a minha avó.
No nosso "monte" havia uma telefonia, que trabalhava com uma bateria, visto que a electricidade ainda lá não tinha chegado. A bateria, essa, tinha que ser muito poupada e só se ligava o aparelho naquela "hora sagrada".
14 H e 30 m, "Teatro Tide" apresenta o romance... "SIMPLESMENTE, MARIA!
Quinze minutos antes chegava a vizinhança. E lá vinha a nossa vizinha Ti Luísa da Quinta-Nova, mais a vizinha Graça, ouvir o "romance".
Sentavam-se as duas com a minha avó (provavelmente, eu também), mesmo em frente da telefonia, olhos postos no aparelho, não fosse escapar alguma das cenas (nesse tempo cenas, apenas auditivas...claro!)
Lembro-me de pensar: Um dia ainda alguém vai inventar uma caixinha destas, onde se possam ver as pessoas! (Poucos anos depois surgia a televisão).
E durante meia-hora era a concentração total. Às vezes chorava-se, vivendo-se intensamente o drama que se desenrolava dentro da caixinha!
......
Hoje também temos vizinhos, e rádios e televisões (às vezes duas ou três). Mas já não nos juntamos!
Encontramo-nos nos elevadores, quase nem sabemos o nome uns dos outros e trocamos frases banais, durante os escassos segundos que demoramos a chegar ao rés-do-chão.
Felicito daqui os bem-aventurados que ainda têm vizinhos a sério, daqueles que em conjunto viviam connosco as nossas alegrias e as nossas tristezas!
....
Aproveito para saudar, daqui, os meus vizinhos pois, apesar de só nos vermos nos elevadores, considero-os gente muito simpática!
Coisas dos tempos de hoje! Tão perto uns dos outros e tão longe afinal!...

2007-05-27

Livros!


O DESCOBRIDOR DE COISAS (1º capítulo)
A gente vinha de MÃOS DADAS, sem pressa de nada pela rua.
Totoca vinha-me ensinando a vida. E eu estava muito contente porque meu irmão mais velho estava me dando a mão e ensinando coisas. Mas ensinando coisas fora de casa. Porque em casa eu aprendia descobrindo sozinho e fazendo sozinho, fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas.
Até bem pouco tempo ninguém me batia. Mas depois descobriram as coisas e vivem dizendo que eu era o cão, que eu era o capeta, gapo ruço de mau pêlo.
Não queria saber disso. Se não estivesse na rua eu começava a cantar.
Cantar era bonito.
Totoca sabia fazer outra coisa além de cantar, assobiar. Mas eu por mais que imitasse, não saia nada.
Ele me animou dizendo que era assim mesmo, que eu ainda não tinha boca de soprador.
Mas como eu não podia cantar por fora, cantava por dentro.
Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso.

(Excerto do livro "MEU PÉ DE LARANJA LIMA" de José Mauro de Vasconcelos)



2007-05-25

Para ouvir e ver...

CLIKE:
Depois de abrir o vídeo, clicando no pequeno rectângulo que lhe aparece no canto inferior direito, poderá ver o bailado, em ecran inteiro.
Conseguiu?

2007-05-20

Quem diria???


URTIGA-BRANCA (urtica dioica)
Indicações: recomendado como depurativo, diurético. Também para tratar o reumatismo, diabetes, colesterol e pressão alta.
A água do caule é usada para bronquites, asma.
Para expelir pedras de rins e bexiga indica-se o chá da raiz.
Fazer banhos é bom para frieiras, doenças da pele e queda de cabelo.
Uso: fazer o chá das raízes. Tomar um copo durante oito dias. Repetir a dose outras vezes.
( Interessante saber estas coisas mas, olhe que não me responsabilizo pelo tratamento...)

2007-05-18

Papaver rhoeas


Papoila vulgar
Folhas divididas, eriçadas de pêlos rígidos.
Flores de cor vermelho intenso.
Cápsulas lisas ovóides.
Aparece nas culturas e terrenos incultos.
Infusão (pétalas) ligeiramente sedante.

2007-05-16

Dia da Espiga!

E lá íamos nós, de farnel aviado, à Quinta da Dona Rita, apanhar a espiga!
Naquele tempo as searas enchiam-se de papoilas, autênticos gritos vermelhos no verde dourado das espigas ondelando na brisa.
O ar era tão puro o cheiro do campo era respirado a plenos pulmões.
E a gente corria, corria, saltava, tropeçava, caía... "- Olha que tu cais, Maria Carolina! (gritava a minha avó).
Hoje, o cheiro bom dos campos continua! Mas, se bem repararem as papoilas quase que desapareceram.Os produtos que se põem na terra acabaram com elas. Apenas as podemos agora ver na berma das estradas. Na verdade também as grandes searas já pouco se vêem. Foram substituídas por campos vedados onde pasta o gado.
Tudo muda! Tudo se altera! Só o grito vermelho das papoilas se mantem!

"Dia da Espiga
Esta Quinta-Feira assinalada no calendário cristão como da Ascensão, é igualmente o dia em que tradicionalmente se ia ao campo colher um ramo em que a espiga de trigo era o elemento mais simbólico.
Compunham igualmente o ramo, um malmequer, uma papoila, um ramo de oliveira, um ramo de parreira e um pé de alecrim.
Simbologia associada a cada elemento:
Espiga – Pão
Malmequer – Ouro e prata
Papoila – Amor e vida
Oliveira – Azeite e paz
Videira – Vinho e alegria
Alecrim – Saúde e força"
(Apontamento recebido num email da Laura)


2007-05-15

Doçuras!


"Deixaste cair no chão
O embrulho das queijadas.
Riste disso - e porque não?
A vida é feita de nadas."
....(Fernando Pessoa)
....................
......
...........
(Estas quiejadinhas estão tão apetitosas que eu pergunto
se não teriam sido feitas pela Teresinha?!...)

2007-05-13

Oi, Pessoal da Tunasas!

Vamos lá afinar as gargantas e mostrar, uma vez mais, na actuação de hoje, aquilo que já sabemos fazer!
A minha pandeireta não está lá, mas está o meu pensamento e o meu coração!
"Caninha verde
ó i ó ai
ó minha verde caninha
lá lá lá lá!.... "

2007-05-12

Uf!....


Finalmente coube-me UM massagista, hoje na massagem Vichy!
Estava a ver que só me "saíam na rifa" mulheres.
Moço muito sério e compenetrado!
Para meter conversa com ele perguntei: -Quanto tempo passa por dia assim "debaixo de água"? (Porque eles e elas, ao mesmo tempo que massajam levam com a chuveirada, que nos é destinada, em cima deles.) Três vezes tive que repetir a pergunta porque ele não entendia.
Então eu disse-lhe: -Não me diga que não compreende os alentejanos?
Ele sorriu e lá me respondeu: -A cabine faz eco e por isso ñ percebia.
Enfim um óptimo profissional, uma perfeita massagem, mas cá me parece que não falamos a mesma linguagem!...
Ou, será do eco?

2007-05-10

O sapinho




Oito horas em ponto, lá está ele.
Touca vermelha na cabeça, mergulhado na água só com os olhinhos de fora.
Se não é sapo é pelo menos arraçado em pato.
Se fosse gordinho poderia também fazer lembrar um simpático hipopótamo...
Chama-se Ricardo e é o nosso fisioterapeuta na piscina.
Com os "nomes" todos que lhe estou a chamar o mais certo é amanhã ele me pregar um susto, obrigando-me a ir ao fundo da piscina duas ou três vezes.
Claro que há muitos fisioterapeutas nestas termas, mas este que nos "saiu na rifa", é uma gentileza de pessoa. (Provavelmente os outros também serão, só que este conheço-o melhor).
Na minha hora somos três senhoras e ele. Entre os "inspire" e "expire" lá vamos falando das nossas vidas e já sabemos que a namorada dele tem uns tios em Santo André e ele sabe que eu tenho um blog.
Observo a atenção com que ele trata todos e a simpatia com que mostra interesse pela saúde de cada um.
Amigos, este é um lugar de gente amável, mesmo nas ruas as pessoas vão-nos dizendo "bons-dias" com um sorriso.
Será a verdura e o florido do lugar que afasta o stress tão comum hoje em dia, por onde quer que andemos???
Amanhã vou a Seixo da Beira, onde já hoje estive e que me pareceu uma terrinha muito típica com as suas casinhas de pedra cheias de jardinzinhos floridos.
Boa-noite, pessoal!
Correcção: Entre duas sopradelas por um tubo e uma flexões com uma bolinha amarela (ora acima ora abaixo) lá me explicou que não é fisioterapeuta e sim, Técnico de Educação especial e Reabilitação).
Ricardo: Para ir aos comentários deve clicar em "Chama o Jardinheiro", assim poderá ler o que o pessoal escreveu.
Se quiser comentar deve ir ao "chama o Jardineiro". Depois de abrir essa página, ao fundo clica em "Post a Comment"; aparece um quadrado (à direita) onde pode escrever; Depois de escrever, clica em "outros", escreve o seu nome na linha e depois clica em publish.
Se conseguiu, tudo bem! Se não conseguiu, de castigo, faça vinte flexões "inspirando" e "expirando". Ah e sopre também no canudo 10 vezes sem parar.
Um beijinho e muito obrigada!

2007-05-09

Ribeira da Pantanha


Se bem escutarmos, à noite da varanda do hotel, ouviremos o "corre-corre"da Ribeira da Pantanha.
Se não fosse a "caloraça" (30 graus), talvez que tão bucólica paisagem me inspirasse.
Assim direi que a "fonte da inspiração" secou!
No enorme e aconchegante salão cerca de 15 pessoas conversam amenamente e vêem televisão.
Acabou de entrar um casal a quem toda a gente chama o Sr. Doutor. Penso que a maioria da clientela é conhecida pois normalmente as pessoas voltam todos os anos, ou até duas vezes por ano. O ambiente torna-se quase familiar.
Desejo aos meus Amigos aí dos Alentejos, uma boa e repousada noite. Para mim, faço os mesmos votos e que os sonhos me sejam frescos ao som da ribeirinha!...

2007-05-08

Verdes são os campos!...


Por aqui tudo é verde!
Caldas da Felgueira, Hotel Pantanha, acolhedor, florido, arejado e calmo!
O "diabo" é que tenho que me levantar muito cedo, porque a minha "faina" termal começa logo às 8 da manhã, hora a que devo entrar na piscina para fazer exercícios respiratórios.
Segue-se uma sessão de massagens e depois os banhos de vapor!
A coisa é cansativa, mas... (graças a Deus) agradável!
Dou-vos notícias porque ontem fiquei agradavelmente surpreendida ao ver um computador no bar e fui informada que era para a clientela se servir dele. Como podem ver este país vai progredindo...
Isto também me parece muito bem organizado. Os donos do hotel são donos do restaurante onde comemos no outro lado da rua, são donos duma pensão anexa ao restaurante e ainda têm um mini-mercado onde fazemos umas compritas de última hora. Além disso ainda têm um elevador na esplanada de onde se pode "cair"(duas ruas abaixo) mesmo em frente da porta das Termas. Isto facilita a vida dos que tenham mais dificuldade em andar, visto que o terreno é de montanha.
Parece-me tudo muito bem dirigido, com competência e simpatia.
Hoje de manhã para ocupar o tempo já fui meter gasolina a Canas de Senhorim e regressei passando por Nelas.
Agora vou almoçar porque os meus companheiros já deram sinal.
Voltarei!

2007-05-01

A MORTE DO RATO





...............
....................
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..........................
..............................
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Quando morreu o rato,
o gato chorava
e chorava tanto
que todos os gatos
não entendiam o pranto
dum gato
pela morte dum rato!
....................
E os gatos
perguntaram ao chorão
porque chorava então?!
.....
E aos outros gatos
o gato respondeu:
estava à espera que o rato
crescesse e engordasse
para ficar mais farto.
...
( De Tóssan)

2007-04-29

Isto é capaz de ser verdade...

"Comece a fazer alguma coisa.
Assim o tempo será um aliado, e não um inimigo:"

(Diz o Paulo Coelho, numa agenda que a Teresinha me deu)

2007-04-28

Vida


Existem os que plantam.
Estes, às vezes, sofrem com as tempestades, as estações, e raramente descansam.
Mas, ao contrário de um edifício, o jardim nunca pára de crescer e permite que
a vida seja uma grande aventura.
......
(Texto de Paulo Coelho, fotografia da Zília)

2007-04-25

Memórias

Alvalade do Sado! Faz hoje 33 anos!
Levantámo-nos às 7 da manhã como habitualmente. A Escola começava às 8h.
De repente a D. Luzia, dona da casa onde morávamos (eu e a minha colega Ana Maria), apareceu na sala meio estremunhada, meio apreensiva: "Senhoras, na telefonia diz que houve uma revolução e que devemos permanecer em casa. As escolas estão fechadas!"
Um nervoso miudinho tomou conta de nós. Passámos a manhã com o ouvido colado na dita telefonia.
Não me recordo já como foi, mas penso que no dia seguinte fomos trabalhar.
A população de Alvalade estava eufórica como de resto todo o País.
Nós também eufóricas!
E começou a "operação limpeza"!
"Limparam-se" duas ou três fábricas que havia na terra.
E falava-se que se iria também limpar a Escola.
Eu e as minhas colegas aguardávamos a "vassoura", confesso que sem grande temor pois tínhamos cá uma fé, que nada nos iria acontecer porque fazíamos falta. Quem tomaria conta dos filhos daquela gente?
Uma noite houve uma reunião "muito assanhada" na escola. De repente ouço uma voz de homem (o Sr. Romão, pai de um aluno meu) :
"Como algumas professoras que em vez de ensinar os moços, os mandam dar uma voltinha a correr em volta da escola para acalmarem!"
Santo Deus, ele não nomeou ninguém mas a visada era Eu! Fiquei mais "caladinha que um rato!..." Eu, acabadinha de sair do Magistério, cheia de ideais pedagógicos, onde se aplicava normas como :
«Se um aluno estiver muito inquieto e desatento, em vez de lhe ralhar, deixemo-lo ir dar uma voltinha no pátio e voltará com mais calma e disponibilidade para aprender.»
Era esta norma pedagógica que eu aplicava ao meu aluno Francisco Romão. Era um garoto de 7 anos, verdadeiro pardal sempre à solta pelos campos, e que agora na escola era obrigado a estar "engaiolado" cinco horas. E digo-vos que a voltinha resultava e era pedagógicamente muito correcta!
Mas... (acobardei-me) e nunca mais me atrevi!
O 25 de Abril não tinha chegado para todos!
O meu aluno nunca se deve ter apercebido porque razão, apartir daquela reunião na Escola a sua LIBERDADE foi afectada e os seus passeiozinhos pelo recreio foram cancelados.
Para ele o 25 de Abril não foi naquela data!
Fiquei sempre com este "remorso"!
Quem sabe se fosse hoje, eu não seria mais corajosa capaz de enfrentar "as massas" e defender os meus pontos de vista em relação à pedagogia e aos interesses dos meus alunos?!

2007-04-21

Amores-(im)perfeitos!


Anos sessenta.
Naquele dia rebentara a "bomba"!
Toda a gente ficou sabendo que "eles" tinham "um caso".
(Que risos escarninhos, que gozo, que invejas e frustrações vieram ao de cima nas mentes mais mesquinhas).
Toda a vila vibrou, saindo da pasmaceira!
Eu e a Ana Maria, perspicazes, vínhamos notando que um estranho e ternurento brilhozinho assomava aos olhos daqueles nossos dois professores quando se cruzavam. Ela, casada, jovem e bonita. Ele, casado, simpático e elegante.
Nós vínhamos notando... e o pior é que não fomos só nós a notar!...
"Rebentara a bomba"!
Foi com alguma tristeza e apreensão que nesse dia nos dirigimos para o liceu.
Ao passarmos numa rua, vimos junto de uma montra um alegrete cheio de amores-perfeitos. Parámos.Olhámos uma para a outra e sem palavras colhemos um raminho.
Chegadas à escola, vimos a nossa professora sozinha numa sala.Olhos vermelhos e congestionados de quem muito tinha chorado e pouco tinha dormido.
Sem palavras, estendemos-lhe o ramalhete. Recebeu-o com comovida surpresa e disse: - "O .... está arrasado e precisa de saber deste vosso gesto!"
Saiu e voltou pouco depois com "ele".
Trancaram a porta e ficámos ali os quatro abraçados, chorando.
Centenas, milhares de dedos apontados, e apenas nós duas, pouco mais que adolescentes, estávamos ali com um abraço e um ramo de amores-perfeitos.
.....
Naquele tempo, os escândalos eram mesmo escândalos, não se tinham tornado como hoje "lugares- comuns".
Mas... tal como outrora, ontem, hoje, amanhã e sempre, encontraremos:
Amores-perfeitos.
Amores-quase-perfeitos.
Amores (que a moral e os bons costumes tornam logo à nascença) ,
Amores-(im)perfeitos.
E se bem olharmos para os alegretes da vida, o que mais existe por aí hoje em dia, são descoloridos, discretos e melancólicos Amores-(des)feitos!
Ah!...muito raros e dispersos ainda se encontram por vezes Amores-(re)feitos!
....
Epílogo: Da nossa professora perdemos o rasto. O nosso professor alguns anos depois divorciou-se da esposa e refez (espero eu ) a sua vida com outra mulher.
....
(Usei neste texto, a palavra «alegrete» que me parece quase em desuso e que significa como devem ter percebido, pequeno canteiro de flores.)

2007-04-18

A flor é apenas flor.

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenasa flor.
...
..(Texto de Alberto Caeiro)


2007-04-16

Ondjaki

Clique no endereço e poderá ver uma entrevista dada por ONDJAKI à Rede Globo, num programa chamado Espaço Aberto.
Poderá Você também conversar com ele.
Ondjaki estará dia 17 de Abril, pelas 21:30 h (terça-feira), na Livraria «A das Artes» em Sines.
(Fazendo um duplo clique na imagem, verá a entrevista em ecran inteiro)
.......
(Mt obrigada ao Amigo Gil que me enviou este endereço, relembrando até que já o havíamos publicado no blog CANTO DAS LETRAS.)

2007-04-14

Eu penso ir. E você?...


Antes da partida para o fim-de-semana, que desejamos seja agradável e descansado, deixamos aqui o convite para a sua participação no lançamento do mais recente livro de Ondjaki - "Os da minha rua", que estará na Livraria A das Artes, em Sines, na próxima Terça-feira, a partir das 21,30h. para a apresentação e respectiva sessão de autógrafos.
Esta é uma oportunidade ímpar de conversar com um dos mais importantes escritores angolanos da actualidade na sua curta deslocação a Portugal.
Para saber mais sobre Ondjaki e a sua obra, clique
AQUI.
A nossa leitura de "Os da minha rua", está
AQUI.
Não deixe de saber sempre as últimas sobre as nossas actividades,
AQUI.

Obrigado e até Terça-feira.

Bom fim-de-semana!
...

2007-04-11

Edelweiss (canções de sempre...)

(clike)
( O Edelweiss (que em alemão quer dizer: branco precioso) ou Leontopodium alpinum, é um arbusto que tem flores brancas em forma de estrela. Como todo vegetal que vive em climas inóspitos (ou muito frio, ou muito quente), para evitar a perda de água, e consequente ressecamento, protege-se recobrindo a sua superfície com densos pelos. O edelweiss também o faz, mas com um adendo recobre também suas pétalas, e aí reside a grande beleza desta florzinha, extremamente branca, mas com a humidade que retém na penugem torna-se prateada e muito bonita.)

2007-04-10

Doçuras...


Que diria Verdi, se visse a sua Traviata tão adocicada?...
Clike mas, tenha cuidado com o colesterol!
(Doçuras roubadas...)

2007-04-09

Desafios

Coragem não significa ausência de temores,
mas, sim, a capacidade de não nos deixarmos paralizar.
.....
Conto: Hagakure e os Caminhos do Samurai
Paulo Coelho

2007-04-08

Desafios

Os verdadeiros companheiros de um guerreiro
estão ao seu lado em todos os momentos,
nas horas difíceis e nas horas fáceis.
.....(Crónica-As decisões de um guerreiro)
Paulo Coelho

2007-04-06

Boa Páscoa?


Boooooa Páscoa???...
Só se for para vocês!
Coelhinho sofre!....
Ele é na caçarola, ele é na grelha, ele é de chocolate...
Ai...ai...quem teria inventado o coelhinho da Páscoa?
Ainda por cima resolveram esconder-me num OVO!
Onde já se viu? Coelhos dentro de ovos! É que ainda corro o risco de ser estrelado, cozido, escalfado ou feito em gemada!
E aos pintos fazem o quê?
Metem-nos nas coelheiras?
Espero que para o ano tenham o bom senso de inventar o "Pintainho da Páscoa"!
Por amor de Deus deixem-me sossegado na toca! Que mal fiz eu? Não basta já, perseguirem-me de espingarda apontada?
Não me façam zangar que ainda arranjo uma fisga e vos dou com uma amêndoa na testa!
Adeus, adeus e tomem mas é juízo!
Coelhinho da Páscoa... onde já se viu?!?...

2007-04-05

Cantiguinha da infância!

"A rolinha andar andou
caiu no laço sempre lá ficou.
Dá-me um beijinho com todo o carinho
que a rolinha nova já saiu do ninho.
Dá-me um abraço com desembaraço
que a rolinha nova já caiu no laço."
........
O "pessoal do meu tempo", vai com certeza relembrar esta cantiguinha que cantávamos nos pátios da escola. Deixámos de a ouvir e perdeu-se na nossa memória. Foi com ternurenta surpresa que a vi relembrada e transcrita no livro "Ventos de mudança em Santiago do Cacém" de Mª da Conceição Vilhena.
As cantigas do povo têm sempre um jeito brejeiro e engraçado ao qual se podem dar várias conotações.
As "rolas" foram sempre tema de cantiga, anedota, história engraçada e claro tema de caça.
As ROLAS são aves que hoje em dia proliferam no nosso país por campos, quintais e jardins. Cantam, encantam não incomodam e devem ser protegidas!
Chamo a vossa atenção para a postagem: A INSENSIBILIDADE DE QUEM SE JULGA DONO DA RES PÚBLICA, 03/03/2007, que pode ser lida no blog do Gil.
Para isso basta procurar em: "Confabulando em Nampulês" que se encontra do lado direido das Sardinheiras, ou então clicando em:

2007-04-03

Ana Lúcia e os Fol&Ar em Santo André!














(Clique no endereço. Depois clicando duas vezes na "seta" que aparece à esquerda das fotos poderá ver e ouvir o video das canções ).

2007-04-01

Psssst...reparou? É lua cheia!...


..................
Está alta no céu a lua e é Primavera.
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
....
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; não sou eu: sou feliz.
...
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelos campos,
E eu andarei contigo pelos campos a ver-te colher flores.
...
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Mas quando vieres amanhã e andares comigo realmente a colher flores,
....
Isso será uma alegria e uma novidade para mim.
..
(Texto de Álvaro de Campos, pintura de Linda Bergkvist)

2007-03-30

Outras Primaveras!


PROMESSA
....
És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.
....
(Para uma fotografia da Zília, um texto da Sophia)

Primavera!

Deixo-vos hoje mais uma pintura de Giuseppe Arcimboldo!
Neste quadro ele representa, à sua maneira, a Primavera!

2007-03-27

Dia Mundial do Teatro!


Para todos os ACTORES em geral e muito particularmente para algumas ACTRIZES, fica aqui a minha SAUDAÇÃO!
Desejo uma vida cheia de Sucessos, com Trabalho, Paz, Saúde e AMOR!

2007-03-26

Os bolinhos da vizinha Cachapim!


Mal arranjava uns trocaditos (talvez 50 centavos...), lá ia eu à "pastelaria" da vizinha Cachapim comprar um "fardinho de palha".
Era assim que nós chamávamos a umas deliciosas fatias de bolo (talvez pão de ló) que eram regadas com um líquido açucarado que as deixava húmidas e muito apetitosas. Depois eram envolvidas em côco, ficando com o tal aspecto de "fardinho de palha branca".
Quando eu digo "pastelaria", só uso este termo porque não sei que outro nome usar. Na verdade era apenas uma loja, sem mesas nem cadeiras, sem prateleiras nem máquinas de café. Apenas um balcão com uma parte envidraçada onde se alinhava a "grande variedade" de bolos: "esses", "amores" e "fardinhos". Havia também uma montra para a rua, onde os bolinhos, misturados com algumas mosquitas, se mostravam para os meninos e meninas que como eu ( amigos de coisas docinhas) se babavam todos, passando e repassando rua abaixo rua acima.
Nunca mais encontrei bolos com AQUELE SABOR!
...........
( Desde que pensei fazer esta postagem, uma certeza instalou-se na minha cabeça:
CACHAPIM só podia ser nome de passarinho!...
Procurei na internet e nada. O mais aproximado era Chapim-Real. Peguei em dois dicionários que tenho (Lello Universal), cada um pesa 4 Kg e meio. E então entre 9 kgs de palavras lá estava:
Cachapim, o mesmo que Mejengra, nome vulgar de pequenos pássaros do género Parus, espalhados por quase todo o globo.)
Respirei aliviada: a minha intuição confirmou-se!)
Não sei se as minhas vizinhas eram "arraçadas em pássaro" ou não, mas sei que, se os cachapins ou as mejengras apanhassem aqueles bolinhos era bicada atrás de bicada até encherem os papinhos com aquelas maravilhas!


2007-03-24

Vamos lá, comam Kiwis!...

Essa fruta exótica foi incorporada nos costumes alimentares da população há muito pouco tempo. Com uma estranha aparência que não agrada a muitas pessoas, depois de ser saboreado, com seu gosto levemente azedo, o kiwi vai ganhando seu espaço na preferência de muitos.
Pesquisa realizada nos Estados Unidos pela FDA (Food andy Druy Administration - US) comprovaram que o kiwi é uma ótima fonte de Vitamina C, E, B6, niacina, potássio, magnésio, cobre, fosfato e fibras dietéticas, possui gordura e nenhum teor de colesterol. Tem efeitos antiinflamatórios, antioxidantes, anticancerígenos e laxativos.
A perfeita combinação das vitaminas A e E pode diminuir o risco de doenças cancerígenas, artério-coronarianas e melhora o sistema imunológico. A vitamina B6, A e a niacina são encontradas em quantidades menores que as outras, porém, estas agem atenuando as rugas da pele.
Alguns dos elementos minerais que o compõe, o cálcio, magnésio, ferro e especialmente o potássio, contribuem para equilibrar a tensão arterial, que aumentam as defesas do organismo na prevenção das gripes e resfriados, além das quantidades razoáveis de fibras solúveis, que auxiliam a diminuição dos níveis de colesterol no sangue.
Por causa da clorofila, é uma das poucas frutas de coloração verde quando madura.