2009-10-04

Nevoeiro

Olhos baços
de nevoeiro
perdem-se no ar
as gaivotas
barcos perdidos
navegam
sem rumo
procurando
como porto de abrigo
praias remotas
,,,,,,,,,
(Há oito dias que o nevoeiro veio e ficou na minha janela...)

2009-09-28

Brrrrr...


Ele, jovem ainda, chegou apressado.
Abriu a porta do carro e saiu. No banco traseiro estava um cão branco, grande e bonito.
Pegou-lhe na trela e lá foram em passo rápido pelo passeio.
Ao fundo, onde o passeio acaba, o cão fez as "suas necessidades". Desceram a rampa e no mesmo passo rápido caminharam pela praia até chegarem às escadas que os devolveram à estrada onde estava o carro. Entraram e rapidamente desapareceram.
Gostaria muito de ter dado um murro no "focinho" daquele jovem.
O cão, esse, não tem culpas da estupidez do dono. Creio mesmo que se este animal tivesse "consciência humana" (mas não igual à do dono), teria latido cheio de vergonha!
A mim, ao ver estes "mal formados donos de cão", o que me apetece é ROSNAR-LHES E MORDER-LHES AS CANELAS!
; (


2009-09-19

2009-09-14

2009-08-31

Cogumelos!

Hoje, já rareavam os cogumelos coloridos da praia. Até deu para contá-los: eram 16!
Os banhistas refrescavam-se na água gelada da Baía de Sines, tentando amenizar esta canícula retardada de Setembro.
Eu procurei um cantinho na ponta sul do calçadão e uma brisa fresquíssima deliciou-me.
Imaginem que atravessando oceanos e mares despoluídos trazia um cheirinho a maresia que me fez recuar às adolescências de S. Torpes.
Gostei do regresso ao passado e respirei profundamente aquela frescura cheirosa, tão difícil de alcançar hoje em dia!
Perto das onze horas regressei para vos contar esta minha viajante aventura pelos sentidos.
Que a canícula não vos martirize!
Desejo-vos um sopro de brisa! (Se possível com maresia!)
;)
( Canção mexicana na voz de Ana Lúcia)

2009-08-21

As Árvores e os Livros


As árvores como os livros têm folha
se margens lisas ou recortadas
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

(Jorge Sousa Braga)

Belo poema enviado pela minha Amiga Sissi, funcionária na Biblioteca Municipal de Santo André



2009-08-04

Kenia

Quénia nome de país africano.
Kenia nome de Mulher brasileira.
Kenia trabalha no bar da Biblioteca Municipal de Santo André.
É pequena, rolicinha, muito amável e carinhosa com a clientela.
Faz “docinho” e “salgadjinho” (como ela diz), muito saborosos (digo eu).
Kenia é de Goiás no Brasil.
Tem um ar exótico e esclareceu a minha curiosidade:
Os pais eram brasileiros; a avó (materna) era filha de francês e o avô era italiano.
Os outros avós (paternos), ele, era filho de alemães e ela era filha de índios.
Isto é o que se chama uma miscelânea, um abraço amoroso entre a Europa e o Brasil.
Kenia é divorciada e tem uma filha chamada Luna.
Também tem um “namoradjinho” português…para manter a tradição familiar,(internacionalista)...
Agora a mágoa dela é não arranjar quem lhe fique com o bar 15 dias para poder ir ao Brasil ver os “paizinhos” de quem tem muitas saudades.
Kenia, obrigada pelo teu SORRISO!
Felicidades! Tu mereces!

2009-07-27

Marieta!


Marieta tem 49 anos, três filhas, um filho e oito netos.
Mora perto da lixeira de Maputo numa casa de tijolo artesanal e telhado de zinco. Só tem uma divisão onde vivem 6 pessoas. Não tem água nem gás, mas…ao fim de muitos anos à espera, chegou a electricidade.
Agora Marieta põe-se a sonhar.
Se ela tiver um frigorífico (geleira) a vida dela pode melhorar. Venderá cubinhos de gelo aos vizinhos alugará prateleiras, onde guardarão comida e pacotes de leite.
Marieta trabalha em casa da Cláudia e do Carlos, que despoletaram uma onda de solidariedade que chegou até nós, amigos de Santo André em Portugal.
Com a ajuda de todos, arranjou-se o dinheiro para um frigorífico e ainda sobrou para comprar um fogão a gás com forno, onde ela poderá cozer bolos para vender.
Marieta e os vizinhos ficaram tão felizes que dançaram e cantaram a noite inteira, tecendo louvores e bênçãos a todos os amigos que tinham ajudado.
Ela resolveu até mudar de casa para um lugar mais seguro, “não vá o diabo tecê-las” e algum ladrão lhe roubar as preciosidades.
E aqui está, como um FRIGORÍFICO pode mudar a vida de uma pessoa.
Felicidades, Marieta!
E…bons negócios!
Para maiores detalhes e olhe que vale a pena, clique em:

2009-07-22

Memórias...


Hoje
Esperei com a certeza
De quem sabia que vinhas

(Ninguém te viu
Nem mesmo o meu olhar)

Fluido apenas
Nocturno de Chopin
Teia de espuma
Mar
....
(carolina)

2009-07-16

Lá vai mais uma...

A laranja que escolheste
Não era a melhor que havia
Também o amor que me deste
qualquer outra mo daria
(Fesnando Pessoa)

2009-07-11

Quem diria...

Quando vieste da festa,
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta:
Foi da festa ou foi da gente?
...
(Fernando Pessoa, quem diria...)

2009-07-05

Janelas, insónias?...


A noite
assoma pelas janelas
o Mar
esqueceu-se de reflectir a Lua
e os olhos
ateiam o escuro
(abertos)
no espanto de não haver sono

(carolina)

2009-07-01

Aquelas pequenas coisas...

A simpatia pode ser um postal,
um telefonema, um ramo de flores,
uma palavra de gratidão,
uma chávena de chá,
uma boleia de carro,
acompanhar alguém à farmácia.
Um ouvido atento.
...
(Helen Exley)

2009-06-22

Fidelidades!

É preta, grande e de orelhas espetadas. É assim que a vejo na praia.
Imóvel de olhos fixos no mar.
De repente, as orelhas abanam. Também eu olho para o mar, curiosa, tentando perceber o que despertou o seu interesse.
Um pequeno barquinho (bote) vermelho de bordas azuis, aproxima-se com um homem (de trinta e tal anos) , moreno, magro e de cabelos apanhados atrás.
Num desassossego, ela " de régua e esquadro desenha uma linha recta" e senta-se de novo mesmo no sítio onde já sabe que barco vai chegar à areia.
Depois é uma correria alegre, voltejando por aqui e por ali, enquanto o dono tira do barco um balde verde, que presumo eu, trará alguns peixes.
Grito cá de cima do muro:
- Como é que ele se chama?
O homem responde: - Ela chama-se Lina!
E eu fico a pensar com os meus botões: Nome de mulher, mas... cá me parece que aquela cadela será mais paciente e fiel que muitas mulheres!
E lá vão os dois pela areia fora com o baldinho do peixe.
Eu sigo, avenida (Avenida Vasco da Gama) abaixo satisfeita porque arranjei uma história interessante para contar! (Penso eu...)

2009-06-10

O beijo...


(Clique na imagem)
O Braz (João Braz), o 2º na fila de baixo a contar da esquerda.
....
Naquele dia, ao começar o ditado, eu lembrei-me de dizer:
- Dou um beijinho a quem não der erros no ditado.
Não houve grande reacção por parte dos alunos, e não admira (eles já estavam acostumados às "maluqueiras" da professora).
Fizemos o ditado que logo a seguir corrigi, chegando à conclusão que só o Braz não tinha tido erro nenhum. Como o prometido é devido, lá lhe dei tal beijo.
O dia de aulas decorreu normalmente. Quando a campainha tocou para a saída, estranhei não ouvir o reboliço dos costume. Reboliço normal de "pássaros engaiolados" uma manhã inteira, sentindo que chegava a hora da libertação.
Naquele dia, tudo calmo. Levantei a cabeça para ver o que se passava. Uma fila muito ordenada encontrava-se frente à minha mesa. Perante o meu olhar interrogativo o aluno da frente disse:
- Vimos dar um beijo à professora!
Não pude deixar de sorrir com a decisão que tinham tomado.
E lá levei eu 19 beijos dos meus alunos.
Que grande lição eles me deram! Que era lá isso? Só o Braz levava um beijo? E eles?
E aqui está como nós, professores, por vezes fazemos coisas sem pensar na importância que elas possam ter. Afinal eu que viera com a história do beijo como uma brincadeira, acabei por concluir que isso era um assunto muito sério e que ali não podia haver discriminações, entre quem tinha ou não tinha zero erros num ditado.
Aprendi a lição!
;)

2009-06-07

Para a Zé...


"Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar".

( Da SOPHIA, poetisa que tanto amavas)

....Obrigada pelas vezes que me deste a mão, ajudando-me no caminho...
...
Beethoven "Fur Elise"

2009-06-04

Pensamentos...

Há aquelas pessoas a quem chamamos
normais, enfadonhas, convencionais,
mas que tecem
uma rede de pequeninos
gestos de simpatia
que mantém o mundo unido.
...
Helen Exley em "Aquelas pequenas coisas"

2009-05-27

Mozart



(Concerto para piano nº 21, sugestão da Teresinha)

Clique

http://www.youtube.com/watch?v=_HOyPO5GGis