2010-06-06

Os queijinhos...


Lá vamos, eu e a Dulce pela estrada da Sonega.
Vira à esquerda e segue-se na direcção de Vale das Éguas.
Antes de aí chegar, num caminho de terra batida chegamos ao Areal.
-Ó minhas senhoras, onde é que fica o "monte" da D. Odete que faz queijos?
E as explicações não se fazem esperar: -Logo ali, onde acabam aqueles eucaliptos. Sobe a ladeira e o monte fica lá no alto.
Claro que eucaliptos víamos muitos e casas no alto também.
Mas, conseguimos chegar ao monte dos Beirões.
- D. Odete, ó D. Odete...e nada!
Já fazíamos inversão de marcha, quando nos gritaram: -Hei! Hei...
E era a tão desejada senhora que afinal estava dormindo a sua merecida sesta.
E lá entrámos na cozinha. Um verdadeiro "museu de antiguidades" que nos deixou encantadas.
Não há nada que ela não aproveite para decoração da sua casa. Gostava que pudessem ver aquilo.
Depois mostrou-nos o asseio com que faz os seus queijinhos. Sete ou oito por dia, que é quantos pode fazer com o leite que todas as manhãs ordenha das suas cabrinhas.
Depois de muito conversarmos (ela é muito conversadeira) lá nos arranjou 12 queijinhos para mim e cinco para a Dulce.
Já nós nos vínhamos embora quando ela virando-se para o marido diz: - Ó marido, toca lá aí uma musiquinha para as senhoras ouvirem e...perante a nossa surpresa ele pega num acordeon e "desata" a tocar com maestria. Até nos brindou com uma música que ele fez para a sua Odete!!!
E foi assim que uns queijinhos de cabra nos proporcionaram uma tarde muito bem passada no Monte dos Beirões lá para os lados do Areal.
...
(Conheci a D. Odete na fisioterapia. Todos os dias ela levava queijinhos para nos oferecer.)

2010-05-29

Banhos Quentes (Sines noutros tempos...)

(Fotografia e texto do jornal "Sineense")
Depois havia os Banhos Quentes, que era ao pé de um rio grande onde a gente ia lavar, do lado esquerdo quando vamos para a praia. Os Banhos Quentes eram uma casa grande e bonita, mobilada de camas para os doentes.
Tinham uns tubos grandes debaixo da areia que iam ligar aos banhos com água salgada.
Vinha muita gente tomar banhos quentes e depois ia para casa. Mas muitos ficavam lá o dia inteiro, não tinham meios, e outros que eram aleijadinhos.Tomavam banhos e vinham cá para fora. Tinham um terraço grande, punham cadeiras e eles ali estavam tomando banhos de sol. À porta, havia um aparelho muito lindo que tocava música.
lá dentro havia banheiras de pedra, forradas de azulejo. Cada quarto tinha uma banheira, uma cadeira e um cabidezinho para porem a roupinha e tomarem banho. Vinha água salgada por umas torneiras e arrefecia juntamente com a água doce.
Aquilo era muito bem arranjado. Não tinha muitos funcionários, só uns dois ou três. Homens não sei se havia algum. As moças é que andavam lá a limpar e a arranjar.
.....
O texto é um relato da Senhora Dona Maria Delmira Ferreira (87 anos) vizinha dos Banhos Quentes, e que testemunhou a sua destruição aquando do ciclone de 1941.

2010-05-10

Estória quase inventada...


(O Fruto que deu frutos...)


A Mulher estava numa esplanada.
O Homem passou com um Menino ao colo.
O olhar dela seguiu-o até ele desaparecer na esquina.
Tempos depois, seguia ela num autocarro quando de repente o avistou caminhando pela avenida.
O tempo passou, e um dia, ao entrar no bar do teatro viu-o lá dentro na mesa de som.
Pensou: Vou falar com ele!
E foi!
No dia seguinte, no seu camarim, alguém tinha deixado como presente um CD.
Ela olhou em redor, havia uma fruteira e dentro dela um ananás.
Pegou no ananás e e deixou-o sobre a mesa de som.
Mais tarde, voltaram a encontrar-se e a conversar.
Hoje, vivem na mesma casa.
E num mini-quintal de que muito se envaidecem, os dois jantam à luz das velas.
Muitas vezes são três, porque o Menino é filho do Homem.

..(Música de fundo "O Piano" de Michael Nyman)

2010-05-03

Lis/Goa



(Ouça o disco até ao fim, vale a pena...)

2010-04-28

Sentidos...

Ao perfume da Rosa entrego os meus sentidos...

Rosa do quintal da Zília

Fotografia da Teresinha


2010-04-25

A Banda passou...


Hoje, pela manhã a Banda passou.
Garbosos os músicos lá seguiam ao compasso da "Grândola Vila Morena".
Reparei que na sua grande maioria os "tocadores" eram muito jovens ainda.
Pensei: Talvez por isso a falta de energia no "toque".
Ninguém seguia atrás da Banda como frequentemente acontece.
Apenas eles na rua deserta. Quantas cabeças assomaram à janela? Só a minha?
Lembrei-me daquele 25 de Abril presente na minha memória mas já distante no tempo.
Como as ruas se encheram de gente!
Como as varandas se engalanaram!
Como os sorrisos se rasgaram nas bocas!
Como um mar de cravos pintava de vermelho as mãos de quem passava!
Como mil sóis brilhavam nos olhas de cada um!
E com que energia o toque da Banda espalhava no ar sons de Vitória!
Já lá vão uns anos...
(Clique nos endereços)
(Outros tempos, outras Bandas...)

2010-04-05

Condecorações!

Clique na imagem
(Miguel Repas, o sétimo na fila de baixo a contar da direita)

..... Naquela manhã (ano de 198...e tal) entrei na sala de aula e fiquei pasmada!
Todos os meus alunos, pendurada ao pescoço, exibiam orgulhosos uma brilhante medalha.
- Mas, o que se passa? Andaram na guerra e foram condecorados?
Um deles esclareceu:
- Foi o Miguel Repas que as trouxe e nos ofereceu.
Perguntei ao Miguel onde fora buscar as medalhas e porque as trouxera.
Esclareceu:
- O meu pai faz muito desporto e ganhou essas medalhas todas. Ele não precisa delas, estavam metidas num armário e eu trouxe-as.
- E teu pai sabe que as trouxeste? - perguntei.
- Não! - respondeu ele.
Claro que fiz o que tinha que ser feito. Fui à secretaria e telefonei ao pai do Miguel, explicando-lhe o que se passava.
Aconteceu o que eu esperava. Meia hora depois o pai chegava à escola. Recolheu todas as suas medalhas e repreendeu o filho.
O Miguel não "tugiu nem mugiu".
E foi assim que os meus alunos, em menos de uma hora foram condecorados como garbosos majores e rapidamente despromovidos, passando à condição de "desmedalhados" soldados rasos.
...
(Esta fotografia foi-me enviada pela minha aluna Susana, a primeira na fila de cima, ao meu lado)

2010-03-30

O "Monte"!




Aproveitámos a ausência da Zília (eu e a Teresinha), para lhe fazermos esta surpresa. Fotografámos alguns dos seus pertences e damos a conhecer o seu "monte".
Está tudo tão bem arranjado que dá gosto ver!
Faltou-nos fotografar as galinhas (estas na foto, são as fracas), os coelhos e a horta.
Na horta tem couves comidas pelas largartas e diz ela que as "malditas" saem das couves e vão pespegar-se nas paredes da casa, sujando tudo.
Nos galinheiros e coelheiras são frequentes as visitas das raposas e dos saca-rabos que lhe roubam alguns desses animais.
É uma vida trabalhosa de que a Zília dá muito bem conta.
É uma Mulher do campo e (rural, como ela diz). Mas, mais do que isso é uma pessoa de muito valor, pois não se limita só a cultivar a terra. Cultiva-se a ela própria sendo uma pessoa sábia, instruída, resolvida e muito eficiente naquilo que faz.
É uma Mulher que tentou e conseguiu alargar os seus horizontes!
Nós gostamos muito dela e também gostamos do seu "monte", das suas flores e das suas couves, mesmo com lagartas.
Bem-hajas por seres quem ÉS e por seres nossa Amiga!
Fotos da Teresinha
Texto da Carolina

2010-03-25

Parabéééééns!!!

Querem saber para quem é este bolinho?...

2010-03-19

Do Fernando Pessoa


Havia um menino,
que tinha um chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.
Em vez de um gatinho
tinha um caracol.
Tinha o caracol
dentro de um chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.
Por isso ele andava
depressa, depressa
p’ra ver se chegava
a casa e tirava
o chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.
...........
Mas era, afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo.

2010-03-16

Os "gaiteirinhos"

Nós somos
velhos "gaiteiros"
o que queremos é folia
dançar
abanar
cantar
quer de noite
quer die dia
....
Para nós tudo
é uma farra
cantando que nem cigarra
dançando
como um pião
não pense que nos agarra!
...
Façam também
como nós
que até já somos avós!...


2010-03-10

Raisparta!!!


Homem prevenido vale por dois!
Siga o meu conselho.
O céu está carregado de nuvens?
Troveja?
Relampeja?
Deixe-se de gabardinas e chapéus -de- chuva.
Fatinho de banho e, pelo sim pelo não, tenha um barquinho ao alcance da mão.
É que pode sair de carro e voltar de barco ou a nado!

Não me leve a mal a brincadeira quem já passou por aflições. Isto é para desanuviar! Eu própria já estou FARTA!
( Postagem de 2006, mas sempre oportuna)

2010-03-05

Claro que o SOL vai voltar!


O "raíto" vai e vem.
Chove?
Faz vento?
Que importa?
Ter um tecto é que convém,
Ver as pombas num vai-vem
Sem ninguem bater-me à porta!
Assim, aconchegadinha,
Pode chover e ventar
Que eu não me importo nadinha...
O Sol bom há-de chegar!

....(Da nossa Lena Tereno)

2010-02-25

Um livro cativante!

Sinopse
Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

2010-02-20

Desabafo: Estou faaaarta de chuva!


Batem leve levemente
Como quem chama por mim.
Será chuva...será gente?...
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim!...

(Lembranças de infância, numa tarde chuvosa e fria...)
«"Balada da Neve" escreveu, Augusto Gil»