2006-11-22

Ausência!


A ASAS criou um blog, que nos tem ocupado um pouco. Daí a minha ausência nas Sardinheiras.
Mas, voltei!
Voltei e convido- te a espreitar esse nosso animado e colorido blog:
www.cantodasletras-asas.blogspot.com
(Se queres dar o teu parecer, depois de abrir, clica em comments.)
Serás bem vindo!

2006-11-19

Saramago e saramago!...



Sabes que há uma planta chamada "saramago"?
Pois, digo-te que é uma planta da família das brassicáceas (seja lá isso o que for), comestível e vulgar em quase todo o país, mais conhecida por "rábano-silvestre".


O outro Saramago é o nosso Prémio Nobel!
Comecei a ler o seu último livro "As Pequenas Memórias" e recomendo-o.
É um livro ternurento.
Recordações da sua infância e adolescência até aos 15 anos.
Parece-me que este Saramago me vai encantando e quem sabe, não serei capaz de pegar naqueles livros, dele, que me parecia não ter vontade de ler.
Veremos...
Darei notícias!...

2006-11-17

Patices de quá...quá!!!


Tricota, patinha!
O frio
está chegando...
Tricota e vigia
os lindos patinhos
no lago nadando.

Agasalha-os
quentinhos
(que o Outono é assim)
Se não os proteges
em breve estarão
a fazer: atchim!!!

2006-11-15

Sinfonia para uma noite de chuva...

Violoncelos
ecos líquidos
tangendo
nas asas do vento
bailação de gaivotas
acenos de veleiro
lamento
( Para um quadro de Amadeu de Sousa Cardoso)

2006-11-14

Gravatas


«Com uma gravata "à altura"
Nunca fazes má figura!!!»

(Provérbio acabadinho de ser inventado!...)

2006-11-13

Leituras!


AS PEQUENAS MEMÓRIAS
Deixa-te levar pela criança que foste

"Às vezes pergunto-me se certas recordações são realmente minhas, se não serão mais do que lembranças alheias de episódios de que eu tivesse sido actor inconsciente e dos quais só mais tarde vim a ter conhecimento por me terem sido narrados por pessoas que neles houvessem estado presentes, se é que não falariam, também elas, por terem ouvido contar a outras pessoas. Não é esse o caso daquela escolinha......." (pág 63)

(Excerto do último livro de José Saramago)

2006-11-12

Noite


Milhões de barcos perdidos no mar!
Perdidos na noite!
As velas rasgadas de todos os ventos
os lemes sem tino
vogando ao acaso
roçando no fundo
subindo na vaga
tocando nas rochas!
E quantos e quantos naufragando...

Quem vem acender faróis na costa do mar bravo?!
Quem??

(De Manuel da Fonseca : Noite)

2006-11-11

Navegar, navegar...


Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...

Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso, meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.
E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.
( De Manuel da Fonseca, o poema: O vagabundo do mar)

2006-11-08

Demolir o Mercado?


Se eu fosse peixe ficava "escamado"!
Se eu fosse tomate corava?
Se eu fosse flor murchava!
Se eu fosse laranja azedava!
Mas sendo eu, apenas eu, pessoa e Carolina só me resta ficar triste e preocupada!
Outro "mamarracho" vai surgir em Sines!
Não haverá outra solução que não seja destruir um edíficio que tão bem está integrado na zona circundante?
Vamos arranjar mais comércio para estar "às moscas"?
Vamos arranjar mais comércio para acabar de vez com os comerciantes da terra?
Vamos ficar de braços cruzados, assistindo, falando, falando e nada fazendo!!!
Nós somos assim!

2006-11-07

Outono


O Outono devolve à terra as folhas que ela emprestou no Verão!

(G.C. Lechtenberg)

2006-11-06

Stress...






Não me digam nada!
Não me digam nada!

2006-11-02

Leituras!


O PODER DOS SONHOS
(Luis Sepúlveda)
"Por todo o lado encontrei magníficos sonhadores, homens e mulheres que porfiadamente acreditam nos seus sonhos. Mantêm- nos, cultivam- nos, multiplicam- nos. Eu, humildemente, à minha maneira, também fiz o mesmo."

"Como é seu hábito, o escritor chileno usa o seu talento de narrador para denunciar o estado de inquietação do país que ama e que o viu nascer, do país onde escolheu viver e do mundo inteiro em geral. É portanto um forte sentimento de humanidade o que une as histórias e reflexões aqui reunidas, sempre pontuadas por uma convicta e apaixonada participação no destino dos marginalizados, dos esquecidos e das vítimas."
(Transcrito da contracapa)

Pronto!


Já dei com a varinha de condão na cabeça da bruxa!
Ficou atordoada!
Por uns tempos ficaremos em Paz!
Um dia cheio de MAGIA para todos!

2006-10-29

A propósito...


Veja o meu anterior "escrito" a propósito do lançamento do último livro de António Lobo Antunes.

Sinopse
Uma noite ninguém dorme, e durante a meia- noite e as cinco da manhã, as pessoas sonham acordadas no sono: contam e inventam as suas vidas e as suas histórias, ou as histórias em que se transformaram as suas vidas, ou as vidas que transformaram em histórias.
( Transcrito do blog: acrisalves)

2006-10-27

Gosto dele!


No livro "Conversas com António Lobo Antunes", ao ser entrevistado pela autora, o pai do escritor confessa:
A vida é curta para ler o António. Eu já não tenho paciência. É complicado de ler. A mãe lê-os todos.

Eu já li alguns livros do António Lobo Antunes. Na verdade, o fluxo de ideias que o assaltam e que ele nos quer transmitir é de tal ordem que quase parece uma avalanche. Eu fico cansada de tentar desenlear aquela meada.
Eu sei...eu sei, que é a sua maneira de escrever, sei que é esta "maneira" que o torna tão original e apreciado em tantas partes do mundo.
Digo, já li alguns livros e vou continuar a ler outros porque o António Lobo Antunes é uma pessoa de quem gosto.
Conheço-o apenas das entrevistas lidas nos jornais ou vistas na televisão.
Fico sempre surpreendida e seduzida, por aquele seu jeito "sem jeito" de responder ao entrevistador.
Confessa-se uma pessoa cheia de pudor (em revelar sentimentos) e no entanto desnuda-se dizendo: Tenho saudades do meu avô paterno porque foi a única pessoa que se despedia de mim à noite com um beijo e me aconchegava a roupa.
Ou: Fiz dieta há pouco tempo para ficar mais bonito e voltar a sentir os olhos das mulheres a seguir- me.

Gosto do seu ar meio ausente ( sempre noutro mundo, o seu mundo), dando sempre respostas muito inteligentes e reveladoras de uma enorme sensibilidade.
Olha, António, tens aqui uma admiradora que te quer bem, mais pela pessoa que pareces ser, do que por aquilo que escreves, apesar de não duvidar que os teus livros sejam grandes obras.
Mas, como diria o teu pai : Falta-me a paciência para os ler. Por vezes deixo-os a meio, confesso.
É que não sendo eu a tua mãe, não sinto essa "amorosa obrigação" de os ler de fio a pavio. E depois, já há tanta gente a lê-los por esse mundo fora que não há que ter remorsos.
Não estarás tão "elegante" como a tal dieta te deveria ter deixado, mas és uma pessoa encantadora!
Que mais não seja, só por isso,talvez compre o teu último livro!
E, cuidado... se te descuidas, um dia destes, ainda te dão o Nobel!
Eu gostava!
( Na imagem o livro de Maria Luisa Blanco "CONVERSAS COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES")

2006-10-26

E pronto!



Recatadamente e sem alaridos voltemos às "costumeiras" e sóbrias ceias!
Torradinha e copinho de leite!
Para vocês um bom serão e uma noite bem dormida!

(E deixa-me lá agarrar nas torradas antes que se "raspem". Estão com um ritmo diabólico!)

2006-10-25

Gestos saborosos...




Yupi!!!!
Sabem o que foi o meu jantar, hoje????
Um delicioso, um cremoso, um fofíssimo, um morníssimo, um.... um... faltam-me os adjectivos para qualificar aquele ARROZ - DOCE que a Teresinha me ofereceu.
Hum...e que cheirinho a canela!!!
Obrigada! Estava uma maravilha!

(Cresceu-vos água na boca? Invejosos...)

2006-10-23

Desabafos de Gato Vadio!


Fica um gato "escalfado" de "gatear" toda a noite de um lado para o outro, sem saber onde se meter com tanta chuva.
Os telhados ficam escorregadios.
As ruas ficam uns charcos.
Os ratos não saem dos buracos.
As gatas metem-se debaixo das saias das donas"salvo seja", no aconchego dos sofás ( que o tempo ainda não é de lareiras).
E eu deslizo de goteira em goteira encharcado que nem um pinto!
Um verdadeiro Gato-Pingado!( Mais precisamente, Pintogado!)
Hoje passei o dia "esparramado" neste muro, estendido que nem um cação a ver se enxugo o pêlo. Olho aberto, olho fechado, à beira dum ataque de nervos.
Na próxima "reengatação", se tiver que ser gato, pois que seja o Gato das Botas!
Ou, talvez o Gato Malhado (da) Andorinha Sinhá, mas aí... irei morrer de amores e isso também não me convém.

E porque não Um Gato no Escuro, como o gato do Mia Couto?
Uma coisa eu espero. É nunca vir a ser aquele do "aaaatirei o pau ao ga...to...to", porque aí então, tenham a santa paciência, dou uma paulada na D.Chica e acaba-se logo com a cantilena.
Vida de gato vadio não é fácil!!!

Ai... Ai... (quer dizer) Miau...Miau!...



2006-10-19

Desabafos de um Caderno Diário!


( A pedido da minha afilhada Carolina Jerónimo Santos, que tem dez anos, transcrevo um texto da sua autoria)

O CADERNO DE LÍNGUA PORTUGUESA A FALAR

É pá, calem-se lápis e borrachinhas. Eu quero contar uma história sobre todos os cadernos. Calem-se, calem-se, calem-se!!!
Eu sou um caderno de escola e a minha dona é maluca, põe-me na mochila "à balda".
O meu colega estrangeiro, o que fala inglês, já está todo esborrachado e ainda só tem um mês de uso. A minha dona já perdeu um outro meu colega. Esse chamava-se "Estudo Não Acompanhado", que tem a mania de pôr a palvra NÃO em todas as frases. Amigo, tens que tratar dos erros!...
Eu tenho tudo em ordem; os sumários, a letra, os apontamentos...
Às vezes sinto comichão, abro-me todo e vejo as letras a jogar à apanhada e outras com malas.
Olho para a minha frente e vejo-as a construírem uma casa noutro caderno. Parece que se querem mudar.
Não querem que eu conte a história toda?
Está bem, conto só metade.
Bem, continuando; o meu amigo Dossier coitado já deve estar todo marreco porque ficou no meio dos livros dentro de uma mochila que pesa uma tonelada.
Agora vamos falar dos livros.
Os livros de História são muito "lembriscos" só querem escrever coisas difíceis e a minha dona não se dá com aquilo.Os livros de Matemática só querem fazer filhos. À minha dona já dói as costas de carregar tantos filhos (livros); tem de andar carregada. É uma desgraça!
O livro de EVT não deve servir para nada, só chateia de tanto dizer para toda a gente olhar os seus desenhos.
Os livros de Música já me "enjoam" de tanto ouvir instrumentos a tocar: violinos, flautas, etc.
E é tudo!
Todos os cadernos e livros têm defeitos!

(E acrescento eu - a madrinha)- : Se calhar os livros e os cadernos são como as pessoas. Têm defeitos, mas também têm QUALIDADES, e devem, por isso, ser estimados e bem tratados. Não te esqueças disso minha linda Afilhada!)

E aqui ficou o texto da Carol, feito com muita imaginação. Eu trancrevi-o na íntegra, limitando-me a acrescentar uns pontos aqui, umas vírgulas ali...

2006-10-18

A Menina do arroz-doce!


Éramos meninas de 9 anos de idade.
Almoçávamos na escola. (Escola Primária da Avenida em Santiago do Cacém.)
A minha mãe mandava-me o almoço por volta do meio- dia; ela, porque morava longe, levava o "farnel" de casa logo de manhã. E no farnel dela havia muitas vezes arroz- doce. Eu ficava maravilhada com aquele almoço. Achava-o tão bonito e provavelmente tão apetitoso que, durante toda a minha vida nunca esqueci a Menina do arroz- doce. Não lembrava, confesso, o rosto dela mas nunca esqueci o seu arroz.

De há uns tempos para cá, passei a cruzar-me com uma senhora que me cumprimentava sempre com muita simpatia: - Estás boa, Carolina?
Apesar de não a conhecer eu retribuia-lhe o cumprimento (intrigada) :- Como sabe ela o meu nome?
Um dia, ela parou e perguntou- me se não me lembrava dela. Dizia que tínhamos andado na escola juntas e que tínhamos sido muito amigas. Brincava comigo, ajudava- me nas minhas dificuldades motoras e quando a escola acabava ela passava as tardes em minha casa.
Eu não me lembrava de nada, com grande mágoa dela (e minha, ao ver a sua decepção).
Passámos então a encontrar- nos com frequência para falarmos do nosso presente e desse passado remoto para mim envolto em brumas...

De repente, há dois ou três dias, uma luz começou a brilhar na minha mente... seria ela a menina do arroz- doce?
Assim que tive oportunidade perguntei- lhe se ela costumava almoçar na escola e se no seu farnel havia de vez em quando arroz- doce.
- Claro! Então não te lembras? Tu davas- me da tua comida e eu dava- te do meu arroz!!!

Chama- se Ana Esperança e somos Amigas, não há que duvidar!
Foi sempre uma presença constante nas minhas memórias. Uma recordação "sem rosto" mas com alma e com SABOR!...
Chama- se Ana, uma mulher bonita e doce.
Tão doce como o arroz da nossa meninice!

( Pois é Amiga Ana, memória de criança pode ser curta, mas é muuuuuuito gulosa...)