2005-07-30

O gato da velha

Era um gato com tanta personalidade
com tal raça
tal centelha
que toda a gente dizia:
- Era uma vez um gato que tinha uma velha.

(Carlos Pinhão)

2005-07-29

Enredos!

Terminei de ler "Rosa Brava" de José Manuel Saraiva.
(ROSA BRAVA ou a vida de Leonor Teles, uma mulher emancipada, numa corte de lúxuria e sedução.)
Li com interesse e a conclusão é :
Ó PAÍS DE ENREDOS!!!!
O jogo de interesses perpectua-se. No passado tal como hoje, é o "salve-se quem puder!"; o particular sempre à frente do colectivo; a intriga e a traição!
E não vejo a luz "ao fundo do túnel".
Vamos continuar a ser este país pequenino!...

2005-07-28

Reflexos - LV

" A quem faz pão ou poema
só se muda o jeito à mão
e não o tema".

Agostinho da Silva

2005-07-27

Pétalas de Bem-te-Quer - 21.ª

Pétalas perfumadas de girassol e de frésias para: a Sr.ª Vereadora da Cultura da Câmara de Santiago de Cacém, os profissionais da Biblioteca Municipal e demais pessoas envolvidas, pela oportunidade, acolhimento e reconhecimento das capacidades e desempenho do J.R.

Acima dos reflexos de uma partida que a vida lhe pregou um dia na estrada, existe um jovem igual a todos os outros!

Muito Obrigada!

Verbo do Dia - Professora

(...) "Deram-me o endereço de um blogue aqui de Sines, da minha professora Carolina e de outra pessoa". (...)

"A minha professora Carolina é que era boa para falar comigo! Podíamos almoçar todos um dia".

" Uma vez, ela perguntou o que tínhamos feito no fim-de-semana e eu respondi-lhe:
- Era para ter ido às (...), mas o meu irmão disse que eu tinha (...)."

"Ela ficou calada e os outros não perceberam"...

Retalhos de Tira-Teimas - 11

Livro Acéfalo - exemplar que não apresenta rosto, nem as primeiras páginas.

Livro de Alumínio - livro feito com folhas de alumínio e escrito pelo sistema Braille, para leitura de invisuais.

Livro Apócrifo - aquele cuja autoria não está provada.

Livro Ascético - livro de temática mística ou teológica.

Livro de Cordel - opúsculo em verso ou prosa - conto, auto, pequena novela - de leitura popular.

Reflexos - LIV

A PEQUENA VAGA

Mar de pequena vaga e céu azul:
a irrupção das frésias na manhã
faz destas ruas um jardim do sul.

Eugénio de Andrade

Linhas e Entrelinhas - XII

" Que queres, se não me sinto bem em parte nenhuma e ando cheio de ansiedades de coisas que não posso nem sei realizar".

Casário Verde


Carta para Silva Pinto - 1877(?)

Palavras - XXXIII

UM CARNAVAL

Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris

Deixa a tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber

Vem ao baile das palavras
que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como a chuva nas vidraças

Vem ao baile oh tens de vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir

Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caíres de borco
A tua alma é mais pura

Vem ao baile vem ao baile
Pelo chão ou pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar.

Alexandre Ó Neill

2005-07-25

Verbo do Dia - Avó

"Já sou avó!" - gritou-me, eufórica e com um sorriso interminável, a Isabel.

"A Ritinha tem um menino, que graçinha!"

"Agora já sei o que é ser feliz, sou feliz!"

Reflexos - LIII

pergunto se posso dizer o teu nome a uma flor
flor o teu nome sussurrado pétala a pétala
letra a letra uma flor desfolhada na terra

José Luís Peixoto

Agora clamo eu...

Que cor tão "desmaiada" é aquela do muro da praia?

Efeito da saudade do pintor / cantor brasileiro?
Inadvertida junção de água na tinta?
Primeira demão?
Daltonismo, simplesmente?

Onde está o tradicional amarelo?

Clamores!

Uma clamava falando no telemóvel : Nunca vi terra mais estúpida do que esta! Fecharam a avenidada principal, não sabemos para onde nos virar!

Outro clamava : Concordo! Concordo com as Músicas do Mundo! Mas... e os outros? Nós, os do povo? Não poderia vir assim mais qualquer coisa ao nosso gosto?

Eu clamo : Que raio! Em Sines espectáculos ao relento é crime!!!
Não há osso que aguente tanta humidade!
Para o meu esqueleto "osteoporado", é interdito!!!

Mas... alguém CANTA!!!
Um brasileiro que neste momento pinta os muros da praia, (as escadinhas que descem da igreja para a marginal), canta em alta e bela voz canções da sua terra!!!

Vale a pena parar para ouvir!
A isto eu também chamo :
- MÚSICAS DO MUNDO e para o mundo!!!!

2005-07-24

Verbo do Dia - Ópera

A Ópera Forgotten Boys - What Xavier Left in Japan, a decorrer no Castelo de Sines - o frio obrigou algumas pessoas a abandonarem a "arejada sala" pouco antes do termo -, assinala um "momento histórico" na cultura desta terra. De facto, o espectáculo é digno de registo, apresentando um único senão: as legendas estavam demasiado baixas, impossibilitando aos espectadores a compreensão da expressão oral.

Maria, uma senhora belga apaixonada por Sines e por Portugal, conhecia a história, segundo me disse, através da sua professora de Português, mas "não é assim, mais romântica", comentou com alguma tristeza - a barreira da língua e a inacessibilidade às legendas talvez a tivessem levado a esta conclusão.

Perdi

Perdi
a invenção
do gesto
que nunca ousei

Perdi
o som
que nunca foi
senão silêncio

Então
porquê o desalento?

Linhas e Entrelinhas - XI

Sines, 24 de Agosto de 2005

Querido Amigo,

Despedimo-nos na 6.ª feira entre flores sem fim e lágrimas contrapostas ao seu sorriso sereno.

Recordo-me perfeitamente da 1.ª vez em que o vi. Caminhava sozinho, elegante, na Rua Marquês de Pombal, depois da Vogue, voltado para nascente; eu ia em sentido contrário. Havia mais uma pessoa na rua: uma senhora idosa que tentava limpar uns vidros. Quando reparou nela, aproximou-se, tirou-lhe o pano das mãos cansadas e fez o seu trabalho, determinado e sorridente.

Fiquei maravilhada com a sua generosidade despida de preconceitos.

Ao longo dos anos, partilhámos diversas alegrias, tristezas, moda, momentos de Fé, carnavais.

Nestas festividades, enchia Sines de cor e alegria, lamentando a sua curta duração - só três dias?!... Talvez por isto, senti que a minha justa homenagem seria apresentar-me no nosso último encontro na terra com o fato que usei quando acompanhou o nosso grupo folião, de deslumbrante Carmen Miranda, mas, rodeada de padrões sociais, recuei no meu propósito, profundamente contrariada... Quem compreenderia?!...

Nesta limitação, optei por colocar-lhe sobre a mão direita, três gerberas cor de fogo, simbolizando o júbilo daqueles momentos - muito Obrigada!

O seu amigo Francisco de Assis esperava-o, não é verdade? E que abração que lhe deu!

Beijos, meu amigo, e até ao paraíso!

"Menina Aurora"

2005-07-23

Conheci hoje...

Conheci hoje, na Livraria "A das Artes", Rogério Carrola.
E da livraria trouxe, oferecido, (o autor não vende) , um livro de capa azul com uma fotografia a preto e branco, tirada penso eu, no Joes's Bar( Ilha da Madeira).

E desse livro transcrevo, para começar, este texto:

Eu?

Não. Amanhã tomarei o avião
e depois seguirei
para junto de Santiago.

Do promontório de Sines
contempla-se outra solidão

de mar.

Agreste e desafiando

todos os adamastorianos.

Experimenta um olhar.

(Do livro "Um olhar no Joe's Bar")

Arco-Íris - XXIX

Não diga...

1. "Cumprir com", mas cumprir a ou o.

Exemplos:

- Cumprir a lei; (..) a missão; (...) a ordem; (...) a palavra; (...) a pena; (...) a promessa; (...) a obrigação; (...) a vontade, etc.:

- Cumprir o contrato; (...) o dever; (...) o estabelecido; (...) o mandato; (...) o preceito; (...) o regulament; (...) o serviço militar, etc.


2. "Custa a crer", "custa a fazer"; custa a viver", mas custa crer, custa fazer, custa viver .

Sabores à Portuguesa - XIII

Carapaus Alimados à Mestre Jesus

Ingredientes

1 Kg de carapaus de tamanho médio
400g de batatas
Sal, azeite, vinagre, pimenta, cebola e água q. b.

Preparação

Amanhe os carapaus, retirando-lhes as cabeças e as tripas. Disponha-os num recipiente às camadas, cobertos com sal.
No dia seguinte, sacuda-lhes o sal, coloque-os num tacho com água e deixe levantar fervura.
Depois escorra-os, cubra-os com água fria e retire-lhes: a pele, as espinhas laterais e o rabo, de cima para baixo, com os dedos.
Limpe-os, passando-os cuidadosamente por água, e deixe-os repousar noutra água, para que não fiquem muito salgados.
Antes de servir, cubra-os com água quente, só para aquecerem e prove-os.
Coloque-os numa travessa com as batatas cozidas e leve-os à mesa.
Tempere-os a gosto com: rodelas de cebola, azeite, vinagre e pimenta.
Pode completar o acompanhamento com legumes cozidos e/ou salada.

Bom Apetite!

2005-07-22

Presente de Aniversário

DIA DE ANNOS

Com que então, caiu na asneira
De fazer, na (...) feira,
Vinte e (...) annos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas...fazê-los...não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o anno passado...
Agora, o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo! Coitado!

Não faça tal...porque os annos...
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho.
Faça outra coisa, que, em summa,
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho,
Mas...annos...! Não caia nessa!
Olhe...que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois, se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los...queira ou não queira!

João de Deus

P.S.: Eu fazia outra coisa: deixava de fumar para repetir os annossssss!
Parabéns!