2007-01-12

Harmonia quase perfeita...


Margem do Guadiana. Castelo de Jerumenha. Como era hábito a mão do Zé segurava com firmeza a minha mão, não fosse eu "estatelar-me" no piso escorregadio da ladeira.
Transpusemos (para o exterior) a porta do castelo. Demos alguns passos na direcção do carro, mas de repente, uma rua estreita com uma porta entreaberta recortando-se na muralha, chamou a nossa atenção. O extraordinário é que quando chegámos aquela rua não estava lá.
Escurecia e uma luminosidade meio nublada, saía daquela porta. Aproximámo-nos. O espaço era uma espécie de taberna com muita gente dentro. Havia mesas vazias e sentámo-nos numa delas. Então,uma mistura de espanto e encanto tomou conta de nós.
A luminosidade provinha de velas, candeeiros a petróleo e lanternas marroquinas muito coloridas e cheias de arabescos.
No ar uma mistura de cheiros, onde ao poejo e à hortelã se juntavam os odores a tabaco, amêndoa e tâmara.
Homens, só homens ocupavam todo aquele espaço, uns sentados outros de pé ao balcão. Uns, de chapéu ou boina, vestiam samarras ou capotes de cor castanha ou cinzenta; outros, de turbante na cabeça, usavam jillabas de cores claras e tecidos às riscas.
Todo o cenário estava envolto numa densa cortina de fumo, o que tornava o lugar ainda mais feérico.
Os homens de negro enrolavam com os dedos calejados, os seus próprios cigarros que depois fumavam.
Os homens de turbante, recostando-se em coloridos divãs, fumavam os seus narguiles.
Nas mãos, enquanto uns seguravam e bebiam copos de vinho tinto, os outros sorviam em pequenos goles um chá fumegante e intensamente aromatizado.
Mas, o mais fantástico de tudo era o som. Aquela gente cantava...Ora num solo, ora em conjunto, como se de um despique se tratasse e como se todos falassem a mesma língua.
E todavia, não! Canções árabes entrelaçavam-se com o cante alentejano e a harmonia, a musicalidade, a suavidade dos sons era de tal ordem que perdemos a noção do tempo.
Não sei quantas horas ficámos ali, não sei porque... ACORDEI.
Acordei?!... O que me parece é que por um espaço determinado de tempo, vivi numa outra dimensão onde, só aí seria possível um Mundo tão pacífico e harmonioso.
Ainda hoje me pergunto, como pode um sonho deixar lembranças tão nítidas e uma tão forte sensação de realidade.

(Sonho sonhado depois de vários dias de passeio, visitando lugares históricos espalhados por este nosso país.)
http://macua.org/aamgil/cantodasletrasblog/rondados4caminhos_aguia.wma
Para ouvir esta bela canção, deve esperar que termine a que está tocando e só depois clik neste endereço.
No disco, voz feminina: Amina Alaoui
Alto: Carlos Barata
G. Coral: G. Casa do Povo de Serpa




5 comentários:

António Gil disse...

Um sonho (bem estranho, por sinal) mas a cores?!....

Carolina disse...

Pois o mais fantástico eram as cores, os cheiros e os sons.É o que digo: Não sonhei, vivi, passei por lá numa outra vida ou dimensão do tempo!

Ana disse...

Sem dúvida alguma!!!
Um lindo sonho,a nossa querida Carolina tem uns sonhos que podem ser uma rialidade.!!!

Teresinha disse...

Muito misterioso,esse teu sonho minha amiga!Nas margens do guadiana
Já sei,Castelo de Jerumenha!
Foste para lá como?...
Também tive um sonho parecido Carolina, só que a margem era a do Tejo.Sei que fui para o Castelo de Almorol num barco a remos que deslizava na água como se levitasse
não fui sozinha...e este sonho foi bem real...Diria mesmo,Místico!

sadinheira disse...

Pois então conta o teu sonho. se ele for "contável..."
Para o Castelo que é lindo eu tinha ido de carro com um amigo. Dias depois, já de regresso é que tive o sonho.
bjs