2007-01-27

Lume!


Desde que fui descoberto tornei-me uma necessidade. Ninguém pode viver sem mim.
Sou indispensável e usado para muitos fins, todavia o que me dá mais prazer é este de dar conforto às pessoas.
Dizem que sou aconchegante e que sirvo de companhia!
Gostam do meu calor e quebram as solidões ouvindo o meu crepitar.
Sorrio entre labaredas, pensando como os engano.
Julgam eles (os humanos e os gatos), que se servem de mim. Engano! Eu é que me sirvo deles para entrar no seu mundo e distrair-me, divertindo-me, vivendo as vidas deles.
À minha beira e no aconchego prazeiroso do meu calor revelam-se segredos, vivem-se intimidades, discutem-se problemas.
Sei de cada um, mais do que cada um sabe de si!
Gosto de pensar que mais do que os pés, também lhes aqueço a alma!
Envolvo-os e repousados adormecem. Sondo-lhes os sonhos!
Gosto de Invernos longos e frios! Gosto de ser LUME!
Venha, olhe ali uma cadeira vazia...
Sente-se!
Estique as pernas e aqueça os pés.
Confortável?
Schiu!...
(Está mesmo frio lá fora. Quer ouvir?)
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18 comentários:

Diabinho dos Infernos (A.G.) disse...

Esse é o meu outro irmão, o lume bonzinho. Eu, pelo contrário, sou a ovelha ranhosa. Eu esturro os almoços, incendeio os pinhais, queimo as casas, dou trabalho aos bombeiros. Eu persigo tudo e todos e até quando a vida acaba, lá estou eu, chifrudo e vermelho, de forquilha em riste, a aguardar os mal-comportados. E nem calculam como são tantos e tantos os que recebo do nascer ao pôr-do-sol, numa fila infinita, sem nem paragem para almoçar! E para esses não há frio, só calor, calor, calor, e ao contrário do meu irmão bonzinho, o tal infeliz das lareiras e afins, o tal que quer dar prazer e conforto às pessoas, eu quero dar-lhes desprazer, dar-lhes dor, muita dor, e não preciso que me revelem segredos, porque eu sei tudo, tim tim por tim, vírgula a vírgula, sílaba a sílaba, o quanto eles foram maus no outro mundo. E então divirto-me a valer a vê-los correr descalços sobre brazas incandescentes e espicaço-os amiúde com a minha reluzente e afiada forquilha. E de tempos a tempos, ordeno ao meu dragão amestrado que lhes lance sobre as cabeças baforadas de fogo rubro, para lhes aquecer as ideias. O meu único desgosto é não poder apreciar uma boa deflagração atómica, como já aconteceu no passado. Bem sei que há essas guerrinhas um pouco por todo o lado, umas aqui, outras mais além, e há os terroristas que também vão fazendo uma perninha, e os políticos que tentam incendiar os ânimos, e os polícias do mundo que matam que se fartam, e os das religiões que acham que só a deles é que é boa e que as outras são para exterminar, e todos os virtuosos que traficam armas que não disparam flores, e os que destroiem a sociedade vendendo drogas, e etc, etc, etc. Não digo mais porque corro o risco de começar a chorar e um diabo não o pode fazer, pois as lágrimas apagariam o fogo, e o fogo é o meu alimento e razão de ser. Mas... onde ia eu? É que um diabo também se perde!... Ah, mas como dizia, tenho mesmo saudades, confesso, é de uma grande bomba atómica, um cogumelo gigante, daquelas que arrazam tudo e todos, que destroiem vidas e fazenda, paízes e planetas, mas me aquecem a alma até ao âmago. Eu disse alma? Desculpem, o diabo não tem alma, vendeu-a nem sei já a quem. Não acredita? Quer que lhe acenda o cigarro? Basta pedir!...

Carolina disse...

Ó Diabo dos Infernos!
Não sei se ria de gargalhada ou se fique arrepiada.
Sem fôlego isso fiquei!BAh!
Ó Lucifer, ó Satã, ó Satanás,pega aí na tua forquilha de três dentes (cujo nome não me lembro) e vai refrescar-te na lagoa!
Bolas! Raios e coriscos!
Mas, apesar de tudo grande e inspirada prosa.
Parabéns!Saiu-te num fôlego, tipo bafurada?

Carolina disse...

ressalvo: baforada

Lucifer (o próprio) disse...

Sim, totalmente baforada demoníaca.
A senhora por acaso fuma? Se quiser posso acender-lhe o cigarro!
Ou tem baratas em casa? Chamo o meu dragão amestrado e ele, com uma só baforada, dá cabo delas. Não garanto é que a casa não vá atrás!

Carolina disse...

Caros Leitores deste bolg: Informo que eu e este Lúcifer que por sinal é meu colega e amigo, temos em projecto escrever um livro "a dois". A tomar como exemplo estes textos ( a minha postagem e os seus comentários), já podemos concluir que a OBRA só poderá ser Um Livro de Terror. Futuro prémio nobel e certamente aproveitado por realizadores de cinema que o exibirão com êxito no Fantas/Porto.
Que novas cenas de terror nos aguardarão?
Façam figas! Não vá o Diabo tecê-las!!!
;)))))))

Ana disse...

Carolina mas o que é isto? Escreves soubre o lume!
Abri para pôr o meu comentário assustei-me, mas o nosso amigo,estava inspirado ?
Bem, o que posso dizer sobre o
lume e lareira gosto muito, estou aqui gelada....Bem me fazia agora falta a tal lareira para aquecer os pés ;)

Lucifer (o Próprio) disse...

Se quiseres, Ana, posso emprestar-te o meu Dragão Amestrado. É melhor que qualquer lareira, posso afiançar, palavra de Diabinho.

antonia disse...

OLÁ Carolina gosto muito de ler as sardinheiras deve continuar quando aperece nas nossas aulas de informática. Bom tenho que terminar vou fazer o jantar .Bjs antoniatsalgado

Laura à roda do lume... disse...

Boa ideia pormo-nos todos à volta do lume. Está um frio, brrrr!
Que tal? faço uma panquecas quentinhas e um cházinho aromático e fazemos um belo serão à roda da lareira! Convidamos o diabinho?
Se calhar não é má ideia porque é capaz de nos distrair com as suas diabruras!Que acham?

Carolina disse...

Olha Laura metemos é o "Satanás" a grelhar. Talvez dê um belo petisco!...
As tuas panquecas eu comia de gosto: Ai que fome!
-------------------------------
Antónia, bjhs e bom jantar. Cuidado com tanto LUME, não deixe esturricar a Janta!

O próprio disse...

Alguém falou em esturricar? Posso dar uma ajuda. Palavra de Satanás!

Panqueca congelada disse...

Tá bonito, tá!
Passou-se!...

céu do ó disse...

Brrr...tremia de frio...mas a partir do momento que li esta prosa-poética o calorzinho foi tomando conta de mim.Agora tenho o coração cheio e a alma vaidosa.É tão bom ter amigos que num instante nos transmitem a magia de transformar este friozinho num calor imenso.
Vou beber um café.Um abraço e até breve.
céu do ó

Carolina disse...

Céu, ainda bem que nossa prosa te aqueceu.
Contamos com a tua "escrita", também ela crepitará em breve!
Penso eu... de que...
Bjh

Teresinha disse...

Eu,como assumida "gata borralheira"
fiquei a pensar:quem me dera uma lareira para me aquecer! Gosto,porque gosto,e vou pondo mais lenha na fogueira,(isto quando apanho uma lareira a jeito) não tenho, gostava de ter!Prefiro esse "lume" ao outro do diabinho dos infernos.Que bem fez o seu papel.Gostei da prosa. Prémio Nobel
a fazer concorrência a Ohran Pamuk
Quem sabe?...
Aguardemos, então!

Carolina disse...

Aguardem-nos!!!
Daremos que falar!

Quanto a não teres lareira é uma surpresa para mim, pois uma vez vi no teu blog uma lareira com dois gatos e fiquei um bocadinho com inveja de ti! (só um cadiiiiinho...)
;)))))

Teresinha disse...

Não tenho na minha casa Carolina.
Tenho na minha 2ª casa,que é aquela onde eu passo todos os Natais, no Entroncamento! A casa dos meus sogros. É aí que eu sempre que lá vou... não há mãos a medir,lareira acesa de manhã até alta madrugada! Às vezes chega-me a doer o "rabo"(salvo seja),de estar tanto tempo a "adorar"o LUME
toda a gente vai dormir...e eu, ali
a "saborear",os gatinhos estão lá! Pois é,por isso é que eu de vez em quando, voo até lá. Ainda há dias lá estive...Assumo,sou mesmo
Gata Borralheira!Gosto e pronto!...
Ainda por cima, naquela lareira vou assando os mais diversos petiscos, por isso podes ficar com um cadiiinho... de inveja!!!...

Carolina disse...

Petiscos????
Nada melhor do que um bom chifre de diabo bem grelhado!!! (salvo seja), é só para estar de acordo com os comentários anteriores...
bhs, GATONA!