
CONSELHO
Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda, como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
(Eugénio de Andrade)










ERA UMA VEZ...
Era uma vez, lá longe, um menino que para se fingir de cavaleiro cortava ramos de acácia rubra e com eles fazia espadas. Sonhava pelejas e inventava um cavalo. "Asas" era o nome do seu cavalo branco. A terra onde vivia não ficava junto ao mar mas, era fácil viajar no " Asas". Cabelos ao vento, espada à cinta, mãos bem firmes nas crinas do cavalo e num abrir e fechar de olhos ele voava por cima de montes e vales e ia pousar no areal extenso daquela ilha. A menina já lá estava. Ele sentava-se na areia e conversavam.
A menina vestia um bibe, usava um chapéu de palha na cabeça e com pauzinhos e pedrinhas fazia construções na areia. Ele perguntava sempre : "O que é que estás a fazer?" Ela respondia : "Estou a construir um castelo, para poder fingir que sou uma princesa!" (e acrescentava) "E tu, porque trazes uma espada e um cavalo? "Para fingir que sou um cavaleiro"( respondia ele)
E era sempre a mesma cena e era sempre o mesmo diálogo. E todas as vezes que o menino estendia as mãos para ajudar a menina na construção do castelo, as pedrinhas e os pauzinhos imaterializavam-se. Era como se aquela menina estivesse ali e ao mesmo tempo não estivesse. Muitos anos se passaram! Vieram discórdias, vieram guerras. Outras vidas tomaram o lugar daquelas vidas, noutros continentes. E como se uma longa viagem tivesse sido feita nas "Asas" do tempo, reencontraram-se! Ele, já não usa espada. Ela desistiu de ser princesa. Naturalmente, reencontraram-se e são Amigos!
(Esta história, eu ofereço a um Amigo, hoje, dia 7 de Maio! Para ele e para a sua Família um dia muito feliz!!!)







